domingo, março 13

ARTIGO PUBLICADO NO PRIMEIRO DE JANEIRO

Artigo publicado na passada segunda-feira, da minha autoria:
ÁGUA VIVA




DAR LUZ, AOS CEGOS



Neste domingo da Quaresma, João conta-nos uma estória, a de um cego de “nascença”, que recuperou a vista depois da intervenção de Jesus. Pouco nos interessará saber se foi uma realidade ou não, dado que essa não é a mensagem que o autor do livro de João nos quis transmitir, mas da capacidade de Jesus de fazer ver um cego, e como o nosso povo diz “mais cego é aquele que não quer ver”.

Jesus prosseguia a sua caminhada, acompanhado pelos seus amigos, anunciando uma libertação próxima das pessoas na sua totalidade, encontrou um cego, que nunca viu as maravilhas do mundo, na plenitude do seu ser; no entanto tinha Fé que apesar da cegueira, haveria alguém que o podia libertar desse estado. Acreditou e viu!

E viu num sábado, e por intervenção do lodo que Jesus o mandou colocar nos olhos. É característica este posicionamento que João nos conta, sem olvidar nada : sábado e lodo.

O sábado era santo, nada se poderia fazer, até o bem, era lei, estava escrito, e Jesus não quer saber disso, indigna-se com o estado de “cegueira” e inaugura uma nova etapa, a de que a lei ou é para nosso serviço ou então deve ser desobedecida. O lodo do poço, como se este fosse a sociedade em que se moviam as pessoas da época, cheia de lodo, isto é, uma pobreza generalizada onde a maioria nada tinha, para que outros vivessem à sua custa. Por isso o cego era de nascença, isto é, nunca tinha visto a luz do caminho da liberdade.

O que interessa mais reter é a sua transposição para o nosso mundo, onde o lodo é a característica da sociedade, e os cegos campeiam. Mas é com este lodo, e metido nele, que os cristãos conseguirão mensagens de Boa Nova, de Ressurreição. E não ficando de lado, como o levita e o sacerdote, na parábola do Bom Samaritano.

Vivemos neste mundo, que é o nosso, para ser concriadores, sermos luz e sentinelas e dar vista aos cegos, por Jesus. Saberemos que este é o jejum agradável, ao nosso Criador ? Ou ainda pretendemos continuar a ignorar a cegueira, também nossa, que nos faz profetas da desgraça, quando, na urbe, a nossa intervenção deveria ser activa, e fazedora de um mundo sem “cegos de nascença” ?

Joaquim Armindo
Licenciado em Engenharia e Ciências Religiosas
jarmindo@clix.pt
http://bemcomum.blogsport.com/
Escreve esta coluna ao primeiro domingo de cada mês

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