2006: o público voltou aos museus e aos cinemas

Os portugueses saíram mais vezes de casa em 2006 para visitar museus ou ir ao cinema, num ano em que se continuou a ler pouco mas durante o qual foram editados, em média, 35 livros por dia.
No primeiro semestre, a afluência aos 26 museus nacionais aumentou 25% em relação a 2005 e, até Outubro, o número de visitantes já tinha ultrapassado o milhão.
Como nos anos anteriores, os museus dos Coches e de Arte Antiga, ambos em Lisboa, foram os mais visitados.
O público também acorreu em maior número às salas de cinema, que nos primeiros nove meses de 2006 registaram cerca de 11,9 milhões de espectadores - mais meio milhão que em igual período de 2005.
Entre os portugueses, o «Filme da Treta», com António Feio e José Pedro Gomes, foi o mais visto (cerca de 271 mil espectadores) - um número raro para películas nacionais, mas muito aquém de «O Código Da Vinci», o recordista de bilheteira (mais de 750 mil espectadores).
Quatro dias antes do Natal, estreou «20,13», o novo filme de Joaquim Leitão, um dos realizadores portugueses de maior sucesso e o que, com o filme «Tentação», mais se aproxima do recorde nacional, estabelecido em 2005 por «O Crime do Padre Amaro» (380 mil espectadores).
O ano ficou também marcado pelo lançamento do Plano Nacional de Leitura para combater o «preocupante» nível de literacia da população e «em particular dos jovens», considerado «significativamente inferior à média europeia».
Trata-se de um plano «a médio prazo», apresentado em Junho por três ministros como uma «prioridade política» e cuja comissão de honra integra algumas das mais conhecidas figuras públicas do país.
Os resultados, no entanto, tardam a materializar-se e o próprio Saramago advertiu que «ler sempre foi e sempre será coisa de uma minoria». «Não vamos exigir a todo o mundo a paixão pela leitura».
Num congresso realizado em Novembro, cerca de 70 editores aplaudiram a iniciativa, mas alertaram que, até à data, o Plano «passou despercebido à generalidade da população, a muitos professores e a muitas escolas».
O congresso concluiu também que a maioria dos portugueses não lê um livro por ano e em Portugal os preços dos mesmos livros «são em média superiores aos praticados na União Europeia».
Mesmo assim, o presidente da União dos Editores Portugueses, Carlos Veiga Ferreira, estima que se publicam em Portugal cerca de 14 mil livros por ano, o que representa mais de mil por mês.
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