terça-feira, março 20

CRÓNICA PUBLICADA NO PRIMEIRO DE JANEIRO

Crónica publicada no Jornal O Primeiro de Janeiro, de 13/3/2007

MOSCADEIRO


AS MACROESTRUTURAS

Quando, agora, finalmente obtive a macroestrutura da Câmara, que foi aprovada, por unanimidade, logo pelos vereadores do PS, partido da oposição, que o Departamento do Ambiente e Planeamento Territorial, detinha o Gabinete de Estudos Estratégicos, fiquei a perceber que mais um erro técnico e político, foi cometido na estrutura organizacional desta câmara. É que uma câmara municipal, como órgão de gestão, deve organizar-se de acordo, não com lugares pré determinados, mas com a lógica de uma estrutura horizontal e transversal, afim de que se possa orgulhar de possuir um sistema de gestão certificável; não é essa, porém, a política e a estratégia camarárias, mas mergulhar-se, mais uma vez, em labirintos organizacionais que quase a tornam inoperacional. Tanto mais que o exemplo fornecido é paradigmático de atropelos ideológicos e políticos colocados na elaboração organizativa, e como não há conteúdo, sem forma, diríamos que o estado da arte por estes lados passa ao lado das eloquentíssimas mentes que os formulam. Um organigrama, seja do que for, e para mais de uma câmara, é tradutor de seres situados e possuidor de uma ideologia, por isso ele é sempre, antes do mais, produto ideológico; esta macroestrutura cimenta-se numa bacoca forma de entender o funcionamento como acto isolado e inconsequente da gestão, e aqui esta é política. Assim nestes dois pilares se deveria alicerçar toda a conduta da arquitectura da gestão, no entanto ela padece de uma doença crónica e infantil, a de submeter tudo ao não ideológico e apolítico, como se fosse possível qualquer gestão não se reger por ditames concretos e determinantes. Não basta a extinção de quaisquer gabinetes, eles próprios indiciadores de inacreditáveis e paupérrimas competências, nem da troca de nomes (às vezes mais valeria continuar com os mesmos!), mas uma arrojada alteração orgânica, que tivesse por filosofia o serviço dos cidadãos, por focalização essencial e própria, dados serem os clientes, e não as produtivas trocas, para favorecimento de entes, que só passados tempos serão visíveis.

A política e estratégia duma qualquer organização deve estar subordinada, à missão, à visão e aos valores que lhe são anteriores, e definida ao mais alto nível da gestão, e não dependente duma divisão, que deverá, isso sim!, ter como paradigma o que é definido. Nunca uma divisão poderá conter em si um gabinete com funções de promover “o crescimento sustentado”, é um erro grosseiro de gestão, mas o que é mais grave consubstancia uma atitude tradutora de desconhecimento, e logo servirá para uma taciturna e esquisita forma de qualidade. O desenvolvimento sustentável, qualquer assessoria deste tipo, deve estar no mais alto nível da organização, porque nele coexistem e de forma harmoniosa os desenvolvimentos económicos, ambientais e de coesão social. Reduzir esta questão, de desígnio, para qualquer departamento, é confundir tudo, misturar, não compreender o desenvolvimento, que se deve operar também neste concelho da Maia. O desenvolvimento sustentável deve ser reportado às decisões políticas, e estas condicionam toda a vida da gestão, quando focalizada nas cidadãs e nos cidadãos, nos clientes do município, e não dependente das actividades dos executantes, pois isso é inverter a capacidade de compreender como deve ser a democracia participativa.

A cidadania sofre, mais uma vez, com esta decisão dos vereadores da câmara municipal, com os erros passados, pensava eu, não se cometiam outros. Assim, porém, não foi, e a macroestrutura presente sofre de doença insanável. Os dois maiores partidos estiveram de acordo, o que é estranho, porque o da oposição sabe bem, ou devia saber!, quais as grandes linhas que até 2015 o actual governo quer implementar, e que não passam por esta forma de actuação, nem de visão.

Joaquim Armindo

Membro da Comissão Política do PS da Maia

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.blogspot.com

Escreve esta coluna quinzenalmente.

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2 Comentários:

Às 9:42 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

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Às 1:35 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

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